Resumo rápido: O Tratado de Schengen exige cobertura médica mínima de EUR 30.000 para entrada na Europa. Na prática, os melhores planos oferecem USD 100.000 ou mais. Para uma viagem de 15 dias, um seguro básico custa entre R$ 150 e R$ 300; planos premium ficam entre R$ 400 e R$ 700. Nossas principais indicações por perfil: Assist Card Essential para o viajante custo-benefício, Allianz Travel Exclusive para famílias, e GTA Top para quem quer cobertura ampla sem pagar absurdo.
Escolher seguro viagem parece simples até você abrir as cotações e se deparar com 40 opções diferentes, siglas confusas como USD, EUR, DAS, MED, e coberturas que só fazem sentido quando você já está no hospital. Esse guia existe para cortar o caminho: vamos comparar 8 seguradoras populares no Brasil, mostrar o que cada plano realmente oferece, os preços pesquisados em maio de 2026, e — principalmente — o que ninguém costuma te contar antes de você comprar.
Metodologia: Valores pesquisados em maio/2026 via Seguros Promo e sites oficiais das seguradoras. Cotação de referência: viajante de 35 anos, 15 dias na Europa, sem condições pré-existentes declaradas. Preços são estimativas e podem variar conforme perfil, data e disponibilidade.
Por que o seguro viagem é obrigatório para Europa?
A obrigatoriedade não é invenção de agência de viagem tentando vender mais um produto. Ela está no Artigo 5º do Regulamento (CE) n.º 562/2006 — o Código de Fronteiras Schengen. Para entrar em qualquer um dos 27 países do espaço Schengen, o viajante precisa apresentar comprovante de seguro viagem com cobertura mínima de EUR 30.000 em assistência médica e hospitalar, válido em todo o território Schengen.
Na prática, o fiscal da fronteira pode solicitar o voucher do seguro junto com o passaporte e a documentação da viagem. Se você não tiver, a entrada pode ser negada. Já aconteceu com brasileiros — não é lenda urbana.
Mas a obrigatoriedade é apenas o piso. O verdadeiro motivo para contratar um bom seguro é o custo de saúde na Europa. Uma consulta de emergência em Lisboa custa entre EUR 80 e EUR 150. Um pronto-socorro em Paris pode passar de EUR 300 só na triagem. Uma internação por pneumonia ou fratura pode chegar a EUR 5.000 a EUR 20.000 sem piscar. Com câmbio do euro em torno de R$ 6,00, você entende por que os EUR 30.000 mínimos são apenas o começo da conversa.
Qual a cobertura mínima exigida pelo Tratado de Schengen?
O requisito formal é:
Quer uma viagem planejada com segurança do início ao fim?
Solicitar meu roteiro sob medida →- EUR 30.000 em cobertura médica e hospitalar
- Validade em todos os países do espaço Schengen
- Vigência cobrindo todo o período da viagem
- Emitido por seguradora reconhecida (brasileira ou internacional)
O que o tratado não exige, mas que faz muita diferença na prática:
- Cobertura de cancelamento de viagem
- Indenização por bagagem perdida ou extraviada
- Assistência jurídica no exterior
- Retorno antecipado por emergência familiar
- COVID-19 e doenças infectocontagiosas
A maioria dos planos básicos cumpre o mínimo legal. A questão é: o mínimo legal raramente é suficiente para uma viagem real de família ou casal com roteiro de duas semanas por múltiplos países.
Comparativo: 8 seguros viagem para Europa em 2026
A tabela abaixo usa como referência uma viagem de 15 dias para a Europa (Schengen), viajante de 35 anos sem condições pré-existentes. Preços são estimativas coletadas em maio/2026.
| Seguradora | Plano | Cobertura Médica | Bagagem | Cancelamento | Preço (15 dias) | Nota |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Assist Card | Essential Europa | USD 60.000 | USD 1.200 | Não incluso | R$ 160 – R$ 200 | ⭐⭐⭐⭐ Melhor custo-benefício básico |
| Allianz Travel | Exclusive Europa | USD 150.000 | USD 2.000 | USD 3.000 | R$ 320 – R$ 400 | ⭐⭐⭐⭐⭐ Ideal para famílias |
| Travel Ace | Europa Plus | USD 100.000 | USD 1.500 | USD 2.000 | R$ 220 – R$ 280 | ⭐⭐⭐⭐ Boa cobertura, preço competitivo |
| Porto Seguro | Viagem Internacional Plus | USD 100.000 | USD 1.500 | USD 1.500 | R$ 240 – R$ 310 | ⭐⭐⭐⭐ Confiável, rede robusta no Brasil |
| Affinity | Europa Premium | USD 200.000 | USD 2.500 | USD 5.000 | R$ 390 – R$ 480 | ⭐⭐⭐⭐⭐ Cobertura ampla, inclui COVID-19 |
| GTA | Top Europa | USD 150.000 | USD 2.000 | USD 3.000 | R$ 290 – R$ 360 | ⭐⭐⭐⭐⭐ Ótimo equilíbrio cobertura/preço |
| Intermac | Europa Advanced | USD 80.000 | USD 1.000 | Não incluso | R$ 170 – R$ 220 | ⭐⭐⭐ Básico, suficiente para Schengen |
| April | Mundo Clássico | EUR 75.000 | EUR 1.200 | EUR 1.500 | R$ 250 – R$ 320 | ⭐⭐⭐⭐ Cotação em euro, boa para Schengen |
Notas da tabela: "Cancelamento" refere-se à indenização máxima por cancelamento de viagem por razão coberta. Planos sem cancelamento podem ter essa cobertura adquirida como add-on. Preços podem variar significativamente para viajantes acima de 60 anos.
O que diferencia os melhores planos na prática?
Olhando a tabela friamente, parece que a única diferença é o valor de cobertura médica. Mas há detalhes que importam muito:
- Rede credenciada na Europa: Assist Card e Allianz têm redes próprias em Portugal, Espanha, Itália e França — você liga, eles marcam a consulta. Intermac depende mais de reembolso posterior.
- Central 24h em português: Todas as 8 têm. Mas a qualidade varia. Allianz e Assist Card são consistentemente bem avaliadas em atendimento de emergência.
- Cobertura de COVID-19: Affinity inclui de série. Demais variam — confirme antes de contratar.
- Cobertura odontológica: A maioria cobre apenas emergência (dor aguda, abscesso). Nenhum cobre tratamento eletivo nem coroa perdida.
Como escolher o seguro certo para o seu perfil?
Não existe seguro "melhor para todo mundo". O melhor seguro é aquele que cobre os riscos específicos da sua viagem e do seu grupo. Veja os perfis mais comuns:
Famílias com crianças
Crianças adoecem com mais frequência em viagens — mudança de clima, cansaço, alimentação diferente. Priorize planos com cobertura médica alta (USD 100.000+) e atendimento pediátrico em rede credenciada. O Allianz Travel Exclusive e o Affinity Europa Premium são as melhores escolhas aqui. Verifique também se o plano cobre crianças de até 12 anos gratuitamente quando viajando com os pais — algumas seguradoras oferecem isso.
Atenção: contrate um plano por pessoa, incluindo cada criança individualmente. Planos família com cobertura compartilhada são raros e geralmente insuficientes se mais de um membro adoecer ao mesmo tempo.
Viajantes acima de 60 anos
Aqui o preço muda bastante — uma pessoa de 65 anos paga entre 2x e 3x mais pelo mesmo plano que um viajante de 35. E com razão: o risco de internação aumenta. Não economize aqui. O GTA Top e o Affinity Premium têm boas coberturas para a faixa etária. Declare todas as condições pré-existentes (hipertensão, diabetes, cardiopatia) mesmo que pareça que vai encarecer — não declarar e precisar usar é pior, pois a seguradora pode recusar o pagamento alegando omissão dolosa.
Viajantes de aventura
Trekking nos Alpes, escalada em Dolomitas, ciclismo no interior da França — atividades de risco geralmente exigem um add-on de esportes ou um plano específico de aventura. Verifique o glossário de esportes cobertos e excluídos antes de contratar. A maioria dos planos padrão não cobre acidentes em ski, parapente ou escalada sem aquisição específica.
Gestantes
A maioria dos planos cobre emergências obstétricas até a 28ª semana de gestação. Acima disso, a cobertura tende a ser excluída ou exige declaração específica. Se você vai viajar no segundo trimestre, confirme explicitamente com a seguradora e guarde o comprovante por escrito. O Affinity e o April têm as políticas mais claras sobre gestação nessa comparação.
Seguro do cartão de crédito vale para Europa?
Essa é a pergunta que mais gera confusão — e mais arrependimento depois.
A resposta honesta: depende muito, e na maioria das vezes não é suficiente.
Alguns cartões de crédito premium (Visa Infinite, Mastercard Black, Amex Platinum) oferecem cobertura de seguro viagem automaticamente quando você usa o cartão para pagar as passagens aéreas. O problema está nos detalhes:
- Cobertura médica geralmente baixa: USD 30.000 a USD 50.000 — cumpre o mínimo Schengen, mas não sobra muito para uma internação séria.
- Passagem precisa ser paga integralmente no cartão: Passagem em pontos ou milhas normalmente não ativa a cobertura.
- Processo de acionamento mais burocrático: Você paga adiantado e depois reembolsa. Diferente de seguradoras com rede credenciada que pagam direto ao hospital.
- Exclusões amplas: COVID-19, condições pré-existentes, esportes e atividades de risco quase sempre excluídos.
- Ausência de assistência 24h em português: Não é universal nos cartões — e faz diferença quando você está às 2h da manhã num pronto-socorro em Madri.
Nossa recomendação: use o seguro do cartão apenas como complemento ou backup, nunca como cobertura principal para uma viagem à Europa. Contrate um seguro dedicado e trate o do cartão como segunda camada.
O que o seguro NÃO cobre (e ninguém avisa)?
Esse é o capítulo que as corretoras raramente destacam. Leia com atenção porque cada item aqui já gerou dor de cabeça para viajantes brasileiros:
- Condições pré-existentes não declaradas: Se você tem hipertensão, diabetes ou qualquer condição crônica e não declarou na contratação, a seguradora pode recusar o pagamento de qualquer internação — mesmo que a causa aparente seja outra. Sempre declare.
- Doenças dentárias eletivas: Dor de dente por cárie negligenciada antes da viagem geralmente não é coberta. Só urgências odontológicas agudas (abscesso, fratura por acidente).
- Itens de valor em bagagem: Joias, câmeras fotográficas caras, equipamentos profissionais — a maioria dos planos tem sublimite ou exclusão específica. Verifique o teto de indenização por item.
- Cancelamento por arrependimento ou medo: Cancelamento só é coberto por razões específicas (doença comprovada, morte de familiar, catástrofe natural, etc.). Mudou de ideia? Não está coberto.
- Alcoolismo e uso de drogas: Acidente ocorrido sob efeito de álcool ou drogas é explicitamente excluído em praticamente todos os contratos.
- Danos causados por guerra ou terrorismo: Exclusão padrão na maioria dos planos. Alguns premium cobrem terrorismo — verifique.
- Atos praticados pelo próprio segurado: Briga iniciada pelo segurado, atividade ilegal, etc. Não cobertos.
- Dinheiro em espécie roubado: A maioria dos planos não cobre dinheiro em cash — apenas bagagem e pertences pessoais identificáveis. Use cartão ou leve pouco dinheiro.
- Veículo alugado: Cobertura de carro alugado raramente está nos pacotes base. É um add-on separado — e vale a pena se você for alugar carro na Europa.
Como acionar o seguro viagem na Europa: passo a passo
Saber como funciona o acionamento antes de viajar evita pânico na hora errada. Guarde esses passos no celular:
- Ligue para a central 24h imediatamente. O número está no voucher do seguro. Não vá ao hospital primeiro e tente se reembolsar depois — a seguradora pode exigir autorização prévia para cobrir despesas acima de um determinado valor.
- Informe seu número de apólice e descreva a situação. A central vai orientar qual hospital ou clínica credenciada atender você, ou autorizar o atendimento no hospital mais próximo.
- Guarde todos os documentos: Prontuário médico, receitas, notas fiscais, relatório de atendimento. Em português ou no idioma local — a seguradora aceita.
- Em caso de bagagem perdida: Registre o PIR (Property Irregularity Report) no balcão da companhia aérea antes de sair do aeroporto. Sem esse documento, nenhuma seguradora processa indenização de bagagem.
- Em caso de roubo: Faça um boletim de ocorrência local (pode ser na polícia do aeroporto ou na delegacia mais próxima). Guarde uma cópia — é documento obrigatório para acionar cobertura de furto/roubo.
- Reembolso posterior: Se você pagou adiantado por emergência sem contato com a central, envie todos os documentos em até 30 dias após o retorno ao Brasil. Cada seguradora tem prazo específico — leia o contrato.
Dica prática: salve o número da central 24h da sua seguradora como contato no celular antes de embarcar. Parece óbvio, mas muita gente chega na Europa sem isso na memória do telefone.
Vale a pena o upgrade para cobertura premium?
A diferença entre um plano básico e um premium é de R$ 150 a R$ 300 para uma viagem de 15 dias — cerca de R$ 10 a R$ 20 por dia. A questão é: o que você ganha nessa diferença?
O que o premium normalmente adiciona:
- Cobertura médica maior (de USD 60k para USD 150k–200k)
- Cancelamento de viagem incluído (normalmente ausente no básico)
- Teto de bagagem mais alto
- Cobertura de COVID-19 e doenças infectocontagiosas
- Assistência jurídica no exterior
- Retorno antecipado por morte de familiar no Brasil
- Interrupção de viagem (você já está lá e precisa voltar)
Nossa avaliação honesta: Para uma viagem de 15 dias de casal saudável de 30-40 anos sem condições pré-existentes, o plano básico-intermediário (USD 100k de cobertura, R$ 220–280 por pessoa) é suficiente na maioria dos cenários. O upgrade para premium faz mais sentido se:
- Você é viajante acima de 60 anos
- Há crianças pequenas no grupo
- Você pagou passagens e hotel caros e quer proteção de cancelamento
- Há alguma condição de saúde no grupo (declarada corretamente)
- A viagem inclui atividades de aventura ou esportes
Para lua de mel ou aniversário importante — viagens de alto investimento emocional e financeiro — o upgrade de R$ 200–300 a mais por pessoa costuma valer a tranquilidade.
FAQ — Perguntas Frequentes sobre Seguro Viagem para Europa
O seguro viagem precisa estar em reais ou pode ser em dólar/euro?
O Tratado de Schengen exige cobertura mínima de EUR 30.000. Seguradoras brasileiras geralmente cotam em dólares (USD) — o equivalente de USD 30.000 é aceito. A April é uma exceção que cotia diretamente em euros, o que elimina a variação cambial no momento do sinistro. Qualquer moeda forte é aceita na fronteira — o que importa é que a cobertura equivalha a EUR 30.000.
Preciso de seguro viagem para cada país europeu ou um único cobre tudo?
Um único seguro válido para o espaço Schengen cobre todos os 27 países membros. Se sua rota incluir países fora do Schengen (como o Reino Unido, que saiu do bloco com o Brexit), confirme que o plano cobre esses destinos também. A maioria dos planos "Europa" cobre o continente inteiro, mas verifique explicitamente.
Posso contratar o seguro depois de embarcar?
Tecnicamente algumas seguradoras permitem, mas não é recomendado. A maioria exige que o seguro seja contratado antes do embarque. Além disso, há carências: coberturas de cancelamento geralmente só são válidas se contratadas com pelo menos 24–72h de antecedência. Contrate ao comprar as passagens — é o momento certo.
Seguro viagem cobre perda de documentos na Europa?
Assistência jurídica e consular para perda ou roubo de documentos está incluída nos planos premium e em alguns intermediários. Isso significa que a seguradora pode cobrir custas de segunda via de passaporte ou oferecer orientação consular. Não confunda com indenização em dinheiro pela perda — isso raramente existe para documentos.
Quanto tempo antes da viagem devo contratar o seguro?
Assim que confirmar as passagens. Quanto antes melhor por dois motivos: (1) a cobertura de cancelamento de viagem começa a valer imediatamente após a contratação — se algo acontecer antes do embarque, você está protegido; (2) evita esquecimento. Não existe vantagem financeira em esperar — o preço do seguro não muda com antecedência.





