Toda vez que anuncio uma viagem internacional, a pergunta que mais recebo é: "Larissa, que aplicativos você usa?" Então resolvi fazer uma lista honesta — não os apps que marcas me pedem pra indicar, mas os que estão no meu celular e realmente abro quando viajo.
São 20 aplicativos organizados por função. Alguns são gratuitos, outros têm versão paga que vale o investimento. Vou explicar quando uso cada um e qual a dica que levou tempo pra eu aprender.
O básico que todo mundo conhece, mas poucos usam direito. Antes de embarcar, abra o Google Maps, pesquise a cidade ou região, toque no nome na barra de pesquisa e baixe o mapa offline. Com isso, você navega mesmo sem chip de dados ou Wi-Fi.
Dica real: Baixe o mapa antes de sair de casa, no Wi-Fi. Já vi muita gente tentando baixar no aeroporto com sinal ruim e estressando.
Preço: Gratuito.
Meu plano B de navegação offline. Os mapas do Maps.me são mais detalhados em alguns países menos turísticos — principalmente no Leste Europeu, América Latina e partes da Ásia. Ele mostra trilhas, caminhos a pé e pontos de interesse que o Google Maps às vezes ignora.
Dica real: Use em conjunto com o Google Maps, não como substituto. Em cidades muito turísticas, o Google Maps ganha. Em destinos menos óbvios, o Maps.me pode surpreender.
Preço: Gratuito.
Para transporte público urbano, nenhum app chega perto do Citymapper. Ele mostra metrô, ônibus, balsa, bicicleta compartilhada e até caminhada — com horários em tempo real, preço da passagem e comparação entre rotas. Funciona muito bem em cidades como Londres, Paris, Nova York, Tóquio e Barcelona.
Dica real: Verifique antes da viagem se a cidade de destino é coberta. O app tem cobertura boa em grandes centros, mas não funciona em cidades menores.
Preço: Gratuito (versão paga com recursos extras opcionais).
Indispensável. O recurso que mais uso é a câmera — você aponta pro cardápio, placa ou embalagem e o app traduz em tempo real, sobrepondo o texto na imagem. Parece mágica na primeira vez.
Para usar offline, baixe o pacote de idiomas com antecedência: vá em Configurações > Tradução offline e baixe os idiomas que precisar.
Dica real: O modo conversa (dois microfones) é ótimo para situações de emergência — você fala em português, o app fala no idioma local.
Preço: Gratuito.
Para textos mais longos ou quando preciso de uma tradução realmente precisa — contratos de aluguel de carro, e-mails de hotéis, documentos. A qualidade do DeepL é superior ao Google Translate em nuances de linguagem formal.
Dica real: Não tem câmera como o Google Translate, então não substitui. Use os dois: Google Translate no dia a dia, DeepL quando a precisão importa.
Preço: Gratuito (versão paga com mais caracteres e recursos).
Disponível em mais de 70 países. A grande vantagem além da conveniência é não precisar lidar com dinheiro em espécie nem negociar preço — você sabe o valor antes de entrar no carro.
Dica real: Em alguns países o Uber é mais caro que alternativas locais. Antes de chamar, compare com o app local de transporte.
Preço: Variável por corrida.
Alternativa ao Uber, muito popular na Europa e em partes da África. Em cidades como Lisboa, Tallinn e Lagos, o Bolt costuma ter preços menores e espera mais curta. Funciona com a mesma lógica do Uber.
Dica real: Baixe antes de viajar para Europa — em alguns países, o Bolt domina o mercado e o Uber tem cobertura menor.
Preço: Variável por corrida.
O "Uber do Sudeste Asiático". Em países como Tailândia, Singapura, Malásia, Filipinas, Vietnã e Indonésia, o Grab é o app dominante. Além de transporte, oferece entrega de comida e serviços financeiros.
Dica real: Em Bangkok, o Grab é essencial — evita a negociação de preço com mototáxis e tuk-tuks que costumam cobrar o dobro de turistas.
Preço: Variável por corrida.
Quando preciso ir de uma cidade para outra e não sei qual é o melhor meio de transporte, o Rome2rio compara todas as opções: avião, trem, ônibus, balsa, carro. Ele mostra tempo, preço estimado e como comprar.
Dica real: Ótimo para a fase de planejamento — use para decidir se vale pegar um voo interno ou se o trem é mais prático e barato. Não use como reserva direta; vá ao site da companhia para comprar.
Preço: Gratuito.
Minha plataforma principal para hotéis, pousadas e hostels. A variedade é enorme, as avaliações são verificadas (só quem se hospedou pode avaliar) e o cancelamento gratuito em muitas opções dá segurança para reservar com antecedência.
Quando uso: Sempre que quero hotel com recepção, café da manhã incluso ou quando viajo com família — a estrutura de filtros facilita encontrar opções com berço, piscina ou estacionamento.
Preço: Gratuito para baixar; você paga diretamente pela hospedagem.
Para estadias de mais de 5 dias, apartamentos inteiros costumam sair mais baratos que hotéis e oferecem cozinha — o que ajuda muito a controlar gastos com alimentação. Também uso quando viajo em grupo grande.
Quando uso: Viagens longas, destinos onde hotéis são caros (como Noruega e Suíça), e quando quero viver em um bairro residencial em vez de área turística.
Dica real: Leia as avaliações com atenção, especialmente comentários sobre limpeza e comunicação do anfitrião. Perfil sem avaliações é risco.
Preço: Gratuito para baixar; você paga pela estadia mais taxa de serviço.
Uso principalmente para restaurantes em destinos onde não tenho recomendação pessoal. Os filtros por tipo de cozinha, faixa de preço e distância ajudam a encontrar opções rapidamente. As avaliações são volumosas o suficiente para ter confiabilidade.
Dica real: Desconfie de restaurantes com muitas avaliações perfeitas em série — pode ser manipulação. Leia os comentários negativos para entender os problemas reais.
Preço: Gratuito.
Para reservar mesa em restaurantes na Europa. Em cidades como Paris, Barcelona e Amsterdã, muitos restaurantes bons exigem reserva e o TheFork facilita muito esse processo — com desconto em alguns casos.
Dica real: Muito útil em alta temporada quando os restaurantes mais procurados lotam dias antes. Reserve com antecedência os jantares especiais da viagem.
Preço: Gratuito.
Sim, o Google Maps aparece aqui de novo. Para alimentação, especialmente em destinos asiáticos e latino-americanos, as avaliações do Google Maps são mais atualizadas e confiáveis que o TripAdvisor. Além disso, muitos estabelecimentos locais só aparecem no Google.
Dica real: Pesquise "restaurante local [nome do bairro]" no Google Maps e filtre por avaliação acima de 4.3. Essa combinação raramente decepciona.
Preço: Gratuito.
A conta digital que uso para guardar dinheiro em moeda estrangeira e pagar no exterior. A taxa de conversão do Wise é próxima da taxa interbancária real — muito melhor que a maioria dos bancos tradicionais. O cartão físico funciona em débito em qualquer lugar do mundo.
Dica real: Carregue a conta em reais antes de viajar e converta no momento do pagamento. Para saques em caixa eletrônico, o Wise tem um limite gratuito mensal — verifique antes de depender dele para saques grandes.
Preço: Conta gratuita. Cartão físico tem custo de emissão (em torno de R$ 30). Conversão de moeda tem taxa pequena.
O conversor de moedas mais simples e confiável. Uso quando preciso entender rapidamente se um preço está caro ou barato — especialmente em países com moedas pouco conhecidas como a lira turca, o baht tailandês ou o shekel israelense.
Dica real: Salve as moedas que vai usar com antecedência. O app atualiza as taxas automaticamente quando tem conexão, mas mantém a última taxa conhecida quando está offline.
Preço: Gratuito.
O óbvio que precisa ser dito: o WhatsApp funciona em qualquer país com conexão à internet. Configure antes de viajar para não depender de chip local para receber o código de verificação. Avise família e amigos que a comunicação será por ali.
Dica real: Ative o backup do WhatsApp antes de viajar. Troca de chip ou problemas com o celular podem fazer você perder conversas importantes se não tiver backup.
Preço: Gratuito.
Para quem tem celular com suporte a eSIM, o Airalo é a forma mais prática de ter dados no exterior. Você compra um eSIM digital direto pelo app — antes de embarcar, de casa — e ativa quando aterrissa. Sem filas, sem balcão, sem risco de perder chip físico.
Para entender melhor como funcionam as opções de chip para viagem internacional, escrevi um guia completo sobre chip de internet para viagem internacional que cobre eSIM, chip local e outras alternativas.
Dica real: Compre o plano alguns dias antes de viajar para ter tempo de resolver qualquer problema de compatibilidade. Nem todo celular suporta eSIM — verifique antes.
Preço: Variável por destino e quantidade de dados. Geralmente entre US$ 5 e US$ 25 para 7 a 15 dias.
Você encaminha os e-mails de confirmação de voo, hotel, carro e atividades para o TripIt e ele monta o itinerário automaticamente, organizado por dia. Funciona offline e mostra tudo em uma tela só.
Dica real: A versão gratuita já é muito boa para viajantes ocasionais. A versão Pro adiciona alertas de voo e acesso a salas VIP — útil se você viaja com frequência a trabalho.
Preço: Gratuito (versão Pro: US$ 49/ano).
Para listas e notas de viagem, uso o Google Keep para anotações rápidas no dia a dia (endereços, horários, observações) e o Notion para planejamentos mais elaborados com pesquisas, orçamentos e roteiros estruturados.
Dica real: Crie uma nota no Google Keep com os dados essenciais da viagem: número do voo, endereço do hotel, número de emergência do seguro viagem e cópia do passaporte. Deixe offline e acessível sem internet.
Preço: Ambos gratuitos (Notion tem plano pago para recursos avançados).
Esses 20 aplicativos fazem diferença no dia a dia da viagem. Mas o que realmente define se uma viagem internacional vai correr bem é o planejamento feito antes — passagem comprada no momento certo, seguro viagem adequado, roteiro com ritmo realista, documentação em ordem.
Se você está planejando sua primeira viagem internacional, recomendo começar pelo meu guia completo de planejamento para 2026. E para não esquecer nenhum detalhe antes de embarcar, use o checklist de viagem internacional que montei com tudo que precisa ser resolvido antes do embarque.
Tecnologia ajuda muito, mas não resolve tudo. Se você quer ir além dos apps e ter um roteiro planejado de verdade — com hotéis certos, traslados resolvidos e sem surpresas desagradáveis — é exatamente isso que fazemos na Bagagem Extra.
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