Rotas, bagagem, conforto, milhas e custo-benefício real para voar à Europa saindo do Brasil

Por muito tempo, quem queria voar da América do Sul para a Europa sem escala tinha poucas opções nacionais. Mas 2026 chegou com um cenário bem diferente: a LATAM mantém sua posição histórica como a grande operadora brasileira transatlântica, enquanto a Azul consolida e expande sua presença no mercado europeu, apostando forte em Viracopos como hub internacional.
Se você está planejando uma viagem para a Europa esse ano e quer entender qual das duas vale mais a pena para o seu perfil, esse artigo é para você. A resposta, como quase sempre acontece com passagens aéreas, é: depende. Mas vamos detalhar cada ponto para que você chegue ao final sabendo exatamente do que depende.
A LATAM opera a partir de Guarulhos (GRU), o maior aeroporto do Brasil, e oferece o leque mais completo de destinos europeus com voos diretos:
São oito destinos diretos, o que coloca a LATAM em posição privilegiada para quem mora em São Paulo ou quer usar Guarulhos como ponto de partida.
A Azul opera a partir de Campinas/Viracopos (VCP) e aposta em parcerias e acordos de codeshare para ampliar seu alcance europeu:
A malha da Azul é menor em destinos diretos, mas o diferencial está nas conexões domésticas: a Azul chega a mais de 100 cidades brasileiras, boa parte delas sem escala possível via Guarulhos. Isso muda muito a equação para quem não mora em São Paulo.
Esse ponto merece atenção especial porque impacta diretamente a experiência de viagem — e raramente aparece nas comparações de preço.
Guarulhos (GRU) é o maior aeroporto do Brasil, com infraestrutura robusta, várias opções de lounge, acesso por metrô (linha 13), hotéis de aeroporto das principais redes e conexões para praticamente todas as capitais brasileiras. O lado negativo: é congestionado, especialmente nos horários de pico de verão/carnaval e férias de julho. Atrasos de táxi e tempo de deslocamento entre terminais são reclamações frequentes.
Viracopos (VCP) fica em Campinas, a cerca de 100 km do centro de São Paulo. O aeroporto tem muito menos movimento, o que significa menos filas, embarque mais rápido e uma experiência de pré-embarque mais tranquila. O ponto negativo é óbvio: o deslocamento. Ônibus fretados, transfer privado ou carro próprio são as opções. Para quem mora no interior de São Paulo, em Campinas ou nas cidades do entorno, Viracopos é claramente mais prático. Para quem está na capital, o cálculo é diferente.
Se você mora em Ribeirão Preto, Sorocaba, Piracicaba ou qualquer cidade do interior paulista com mais de 150 km de São Paulo, é bem provável que Viracopos fique tão perto — ou mais perto — do que Guarulhos. Nesse caso, a Azul tem uma vantagem logística real antes mesmo de comparar preços.
Aqui as duas companhias chegam ao mesmo patamar para voos internacionais intercontinentais:
| Item | LATAM | Azul |
|---|---|---|
| Bagagem de mão | 1 peça até 10 kg | 1 peça até 10 kg |
| Bagagem despachada | 2 volumes de até 23 kg cada | 2 volumes de até 23 kg cada |
| Excesso de bagagem | Tarifa por kg/peça adicional | Tarifa por kg/peça adicional |
| Itens esportivos | Tarifado separadamente | Tarifado separadamente |
Para a maioria das viagens à Europa, a franquia de 2 volumes de 23 kg é mais do que suficiente. O que pode fazer diferença são as tarifas aplicadas em casos de excesso — aqui, vale verificar no momento da compra, já que os valores mudam com frequência e variam por rota.
Um detalhe importante: sempre confira a classe tarifária. Tanto LATAM quanto Azul oferecem tarifas promocionais que podem incluir apenas uma mala despachada ou até nenhuma. A franquia de 2x23 kg é padrão nas tarifas econômicas completas, mas passagens muito baratas podem ter regras diferentes.
A frota da LATAM para rotas transatlânticas é composta principalmente por Boeing 787 Dreamliner (787-8 e 787-9). O Dreamliner tem uma vantagem real em voos longos: pressurização de cabine equivalente a 1.800 metros de altitude (contra os 2.400 metros típicos de aviões mais antigos), janelas maiores com escurecimento eletrônico e iluminação LED que simula o ciclo circadiano para reduzir o jet lag.
Na econômica da LATAM em voos para a Europa:
A classe executiva da LATAM (LATAM Business) nos transatlânticos tem poltronas reclináveis em cama plana — um diferencial relevante para quem viaja a trabalho ou quer chegar descansado.
A Azul utiliza Airbus A330 nos voos transatlânticos. O A330 é uma aeronave confiável e confortável, amplamente usada em rotas de longa distância por companhias ao redor do mundo. Não tem as vantagens tecnológicas do 787 em termos de pressurização e conforto de cabine, mas é uma aeronave bem estabelecida.
Na econômica da Azul para a Europa:
A configuração 2-4-2 do A330 é, para muitos passageiros, mais confortável do que a 3-3-3 do 787 — especialmente se você viajar em dupla e conseguir os assentos laterais. Fica o registro.
Se é sua primeira vez voando pra fora, nosso guia de primeiro voo internacional cobre tudo que você precisa saber além da escolha da cia.
Nos voos intercontinentais, ambas as companhias servem refeições incluídas na econômica — dois serviços em voos de longa duração (saída e chegada). A qualidade é compatível com o padrão de classe econômica: refeições quentes razoáveis, opção vegetariana disponível mediante solicitação prévia, bebidas alcoólicas e não alcoólicas inclusas.
A Azul tem construído uma reputação positiva em serviço de bordo em seu mercado doméstico, com passageiros frequentemente elogiando a simpatia da tripulação. Nos voos internacionais, essa cultura parece se manter. A LATAM, por sua vez, tem um serviço mais padronizado — competente, mas menos personalizado.
Em voos internacionais de longa duração, pontualidade é crítica. Um atraso de 3 horas pode significar conexão perdida, hotel cancelado ou dia de tour perdido em destino.
Os dados de 2025 e início de 2026 mostram um desempenho relativamente similar entre as duas companhias para voos transatlânticos. A LATAM tem histórico mais robusto simplesmente porque opera essa malha há mais tempo — o processo operacional está mais azeitado. A Azul, com uma malha transatlântica mais jovem, tem apresentado bom desempenho em rotas como VCP-Lisboa, onde a parceria com a TAP contribui para a eficiência operacional.
Dito isso, variáveis como condições climáticas, greves na Europa e manutenção de aeronaves afetam qualquer companhia. Para conexões críticas no destino, vale sempre deixar uma margem mínima de 3-4 horas.
Esse é um dos pontos onde as diferenças ficam mais evidentes — e onde a escolha pode significar milhas acumuladas que pagam uma próxima viagem.
O LATAM Pass é um dos maiores programas de fidelidade da América do Sul, integrado à aliança oneworld. Isso significa que você pode:
Para quem viaja com frequência para a Europa e usa cartão de crédito com transferência de pontos, o LATAM Pass oferece um ecossistema de acumulação e resgate muito abrangente. O resgate para classe executiva em voos transatlânticos pode ser especialmente vantajoso quando feito com antecedência.
O TudoAzul é o programa de fidelidade da Azul, e tem um apelo diferente. A Azul não é membro de uma grande aliança aérea, mas mantém parcerias bilaterais relevantes — especialmente com TAP Air Portugal e United Airlines. Isso permite:
O TudoAzul tem uma vantagem interessante para quem voa muito domesticamente pela Azul: a companhia domina rotas para cidades menores, o que significa que passageiros frequentes do interior acumulam pontos naturalmente. O resgate para voos para a Europa via TudoAzul funciona bem quando combinado com a TAP.
| Critério | LATAM Pass | TudoAzul |
|---|---|---|
| Aliança | oneworld (global) | Parcerias bilaterais (TAP, United) |
| Parceiros na Europa | British Airways, Iberia, Finnair, +outros | TAP Air Portugal (principal) |
| Transferência de cartões | Ampla (Amex, Itaú, Bradesco, +) | Moderada (crescendo em 2026) |
| Melhor uso para Europa | Executiva via oneworld | Econômica/executiva via TAP |
Aqui está talvez a maior vantagem competitiva da Azul — e ela é frequentemente subestimada.
A Azul é a companhia com mais destinos domésticos no Brasil. Cidades como Londrina, Maringá, Cascavel, Juazeiro do Norte, Mossoró, Parnaíba, Palmas, Sinop e dezenas de outras que não têm voos diretos para Guarulhos têm conexões regulares para Viracopos com a Azul. Para o passageiro dessas cidades, viajar para a Europa pela Azul significa uma conexão a menos — ou uma conexão em um aeroporto menor e menos congestionado.
A LATAM, por sua vez, tem foco maior em capitais e cidades maiores. Para quem está em São Paulo, Rio, Brasília, Recife ou Fortaleza, os voos de conexão para Guarulhos são frequentes e bem coordenados com os internacionais. Mas para o interior, a vantagem da Azul é concreta.
Preços de passagens internacionais são extremamente voláteis e dependem de época, antecedência e disponibilidade de assentos promocionais. Mas é possível traçar um panorama geral baseado nas tendências observadas.
Para voos saindo do Brasil com destino à Europa em 2026, os valores médios em classe econômica na ida e volta costumam oscilar entre:
| Rota | LATAM (média estimada) | Azul (média estimada) |
|---|---|---|
| Brasil → Lisboa | R$ 3.500 – R$ 5.500 | R$ 3.200 – R$ 5.000 |
| Brasil → Paris | R$ 4.000 – R$ 6.500 | R$ 3.800 – R$ 6.000 |
| Brasil → Roma | R$ 4.200 – R$ 6.800 | R$ 4.000 – R$ 6.200 |
| Brasil → Londres | R$ 4.500 – R$ 7.500 | R$ 4.200 – R$ 7.000 (via codeshare) |
Valores estimados com base em tendências de mercado. Sempre pesquise nos sites das companhias e em comparadores para obter o preço real na data da sua busca.
De forma geral, a Azul tende a apresentar preços ligeiramente mais competitivos nas rotas onde os dois competem diretamente. Isso é esperado: a companhia está em processo de conquista de fatia de mercado e usa o preço como alavanca. A diferença raramente é dramática — estamos falando de 5% a 15% em média — mas pode ser relevante dependendo do seu orçamento.
A LATAM, por sua vez, frequentemente tem mais opções de tarifas (mais assentos em diferentes faixas de preço) e maior frequência de voos, o que aumenta as chances de encontrar assentos disponíveis na data desejada.
A LATAM faz parte da oneworld, a aliança que reúne nomes como British Airways, American Airlines, Iberia, Qatar Airways, Cathay Pacific, Finnair e Japan Airlines. Para o viajante que usa pontos de fidelidade, tem status em alguma dessas companhias ou faz conexões em destinos europeus para outros continentes, isso é uma vantagem concreta.
Na prática, isso significa:
A Azul, sem aliança formal, tem uma rede de benefícios mais limitada fora do Brasil. A parceria com a TAP é sólida — especialmente para quem vai a Lisboa ou usa Lisboa como hub para outros destinos europeus — mas o alcance de benefícios de status é mais restrito.
Se você é um viajante frequente que acumula status em programas internacionais, a LATAM na oneworld oferece mais sinergia. Se você voa principalmente pelo Brasil e quer a melhor opção custo-benefício para a Europa, a Azul merece atenção séria.
LATAM e Azul são duas companhias sérias, com aeronaves modernas, franquias de bagagem equivalentes e serviço de bordo competente para voos transatlânticos. A disputa entre elas beneficia o passageiro brasileiro — mais opções, preços mais competitivos e mais destinos acessíveis sem parar na Europa para fazer conexão.
A LATAM ainda tem vantagem em amplitude de malha, profundidade de programa de fidelidade e integração com parceiros globais via oneworld. É a escolha mais segura para quem quer mais opções e está disposto a pagar um pouco mais por isso.
A Azul tem uma proposta cada vez mais sólida para quem mora fora das capitais, valoriza o preço e está indo especificamente a Lisboa, Paris ou Roma. A parceria com a TAP é um trunfo real — e o aeroporto de Viracopos, menos caótico do que Guarulhos, é um benefício que só quem já perdeu horas em GRU nos picos de temporada consegue apreciar de verdade.
Antes de comprar qualquer passagem, vale fazer a pesquisa nos dois sites, verificar os horários de conexão doméstica, chestar a política de bagagem da tarifa específica e — principalmente — calcular o custo real considerando o deslocamento até o aeroporto. Às vezes, a passagem mais cara que parte mais perto de casa é o negócio mais inteligente.
Boa viagem para a Europa em 2026. Seja pelo Dreamliner da LATAM saindo de Guarulhos ou pelo A330 da Azul decolando de Viracopos, o destino é o mesmo — e vale cada quilômetro.
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